segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Visão critica em Memorial do Convento

A perspectiva do narrador em Memorial do Convento apresenta uma visão crítica da sociedade portuguesa da primeira metade do século XVIII. Com isto verificamos que a obra transpõe a classificação de romance histórico, pois não se trata apenas de uma reconstituição de um acontecimento histórico, é antes um testemunho intemporal e universal do sofrimento de um povo sujeito à tirania da corte e sociedade da altura.

Na obra predomina o tom irónico (e até mesmo sarcástico) do narrador. É descrito o comportamento leviano do rei, a sua vaidade desmedida e as promessas megalómanas de que resulta o sofrimento do povo.

O clero, que exerce o seu poder sobre o povo, também não escapa ao olhar crítico do narrador. A actuação da Inquisição é criticada ao longo do romance, nomeadamente, através da apresentação de diversos autos-de-fé e das pessoas que contemplam as fogueiras onde se queimam os condenados.

Verificamos, assim, que a crítica prevalece nas personagens de estatuto social privilegiado pois o narrador denuncia as injustiças sociais, a omnipotência dos poderosos e a exploração do povo que é evidenciada nas miseráveis condições de trabalho dos operários do convento de Mafra; isto acontece ao mesmo tempo que denota empatia face aos mais desfavorecidos, cujo esforço elogia e enaltece.

A crítica ainda se estende à Justiça portuguesa da altura, que castigava os pobres e despenalizava os ricos.

Em suma, Memorial do Convento, ao problematizar temas perfeitamente adaptáveis à época contemporânea do autor, constitui acima de tudo uma reflexão crítica, conducente a uma releitura do passado e à correcção da visão que se tem da História

O narrador em Memorial do Convento

O narrador em Memorial do Convento
O narrador é o produtor da ficção, o estruturador do texto. A sua principal função é a apresentação dos fatos (função narrativa). No entanto, nada é impedimento para manifestar a sua opinião própria em relação à narração, às personagens, ao tempo, ao espaço ou ao ambiente social dessa narrativa.
Em Memorial do Convento temos a perceção de um narrador que: descreve paisagens, situações, fatos acontecidos e a acontecer, estados de alma; sintetiza, usando provérbios populares ou reinventando-os; profetiza; se apaga face às personagens ou que as manipula; ironiza, distanciando-se ou comprometendo-se com a vivência da personagem; domina integralmente a História ou que se limita às suas eventualidades. Nesta obra, o narrador assume-se como a voz que está de fora e conta a história com apartes e comentários, uma voz distanciada, impessoal e intemporal, com marcas de oralidade, como se estivesse a comentar a história que estaria a contar em voz alta. No domínio temporal, é isto que o torna omnisciente. Mas por vezes, o narrador adota o olhar de uma personagem, vê a realidade pelos seus olhos – focalização interna – através da qual adota um ponto de vista (“ e esta sou eu, Sebastiana Maria de Jesus…”).
Assim, o narrador movimenta-se entre o passado, o presente e o futuro; é detentor de um vasto conhecimento que lhe permite controlar a ação e as personagens

Linguagem e estilo de José Saramago

A primeira impressão que se tem ao ler um texto de Saramago é que o seu estilo e a sua linguagem brotam de uma forma súbita, demolindo as regras tradicionais. A linguagem de Saramago reinventa a escrita, combinando características do discurso literário com o discurso oral, construindo uma narrativa marcada por uma cumplicidade entre o narrador e o narratário.

         Assim podemos referir como marcas essenciais da prosa de Saramago:
_ A ausência de pontuação convencional, sendo a vírgula o sinal de pontuação de maior relevância, marcando as intervenções das personagens, o ritmo e as pausas;
O uso revolucionário da maiúscula no interior da frase;
O emprego de exclamações e “apartes”;
A utilização predominante do presente – marca do fluir constante do narrador entre o passado e o presente;
A mistura de discursos – discurso direto, indireto, indireto livre e monólogo interior – que aponta para uma memória da tradição oral, em que contador e ouvintes interagem;
A coexistência de segmentos narrativos e descritivos sem delimitação clara;

A presença constante de marcas de informalidade/espontaneidade construídas pela relação narrador/narratário;
A intervenção frequente do narrador através de comentários, o que dificulta a identificação das vozes intervenientes;
_ O tom simultaneamente cómico, trágico e épico;
O discurso reflexivo também construído pelo emprego de provérbios e ditados populares.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Espaço Fisíco/ Social/ Psicológico

Espaço Físico:

- São dois os espaços físicos nos quais se desenrola a acção: Lisboa e Mafra (macroespaços).



Lisboa: descrevem-se vários espaços dos quais se destacam o Terreiro do Paço, o Rossio e S. Sebastião da Pedreira.



Mafra: passa da vila velha e do antigo castelo nas proximidades da Igreja de Santo André para a vila nova em cujas imediações se vai construir o convento. A vila nova cria-se justamente por causa da construção do convento.
Mircroespaços:
  • Terreiro do Paço
  • Rossio
  • S. Sebastião da Pedreira
Terreiro do Paço


Local onde Baltasar trabalha num açougue, após a sua chegada a Lisboa. É um espaço fulgurante de vida, com grande importância no contexto da sociedade lisboeta da época.
Rossio

Este espaço aparece no início da obra como local onde decorre o auto - de - fé. A procissão propriamente dita saía na manhã de domingo da sede do Santo Oficio e percorria a cidade da Lisboa antes de chegar ao local da leitura das sentenças, numa das praças centrais. À frente seguiam os frades de S. Domingos com o pendão da Inquisição. Atrás destes os penitentes por ordem de gravidade das culpas, cada um ladeado por dois guardas. Depois, os condenados à morte, acompanhados por frades, seguidos das estátuas dos que iam ser queimados em efígie. Finalmente os altos dignitários da Inquisição, precedendo o Inquisidor – Geral. A sorte dos réus vinha estampada nos sambenitos (Hábito em forma de saco, de baeta amarela e vermelha que se vestia aos penitentes dos autos – de – fé) para que a compacta multidão que se aglomerava soubesse o destino dos condenados


S. Sebastião da Pedreira

Espaço relacionado com a passarola do Padre Bartolomeu e com o carácter mitico da máquina voadora. A passarola insere-se na narrativa como um mito, do qual o homem depende para viver, mito proibido mas que se evidenciará e se deixará ver pelo voo espectacular que se realizará, mostrando que ao homem nada é impossível e que a vida é uma grande aventura. S. Sebastião da Pedreira era, àquele tempo, um espaço rural, onde não faltavam fontes, terras de olival, burros noras, e onde se situava a quinta abandonada. Ali irão as personagens, variadíssimas vezes e pelas razões mais diversas.

Espaço Social:

O espaço social é o lugar de atuação das personagens enquanto seres sociais. O ponto de vista sociológico em que o narrador se coloca permite-lhe apresentar um quadro claro da vida social do século XVIII.
_ A vida na corte, com a apresentação do séquito real, do vestuário das personagens, das vénias protocolares, do ritual das relações entre o rei e a rainha e todos aqueles que frequentam o paço, sobretudo o clero (Cap. I);
_ Diversas procissões, nomeadamente, a de penitência pela altura da Quaresma (Cap. III), a dos autos-de-fé (Cap. V e XXV); a do Corpo de Deus em Junho (Cap. XIII); que atestam a influência da religião na sociedade;
_ O batizado da princesa Maria Bárbara no dia da Nossa Senhora do Ó (VII);
_ A tourada em Lisboa, no Terreiro do Paço (IX);
_ Os festejos da inauguração e da bênção da primeira pedra do convento de Mafra (XII);
_ As lições de música da infanta Maria Bárbara ministradas por Domenico Scarlatti (XVI);
_ A epidemia de cólera e febre-amarela que dizima o povo (XV);
_ O cortejo nupcial que retrata os casamentos da infanta Maria Bárbara e do príncipe D. José com o príncipe e infanta espanhóis (XXII);
_ Sagração, em 1730, do convento de Mafra, apesar de ainda não concluídas as obras (XXIV)

Espaço Psicológico:

Este espaço é entendido através do monólogo interior em que as personagens revelam o seu íntimo ou representado através do sonho/imaginação da evocação, da memória e da emoção, podendo, também, ser sugerido através da descrição de atmosferas ilustrativas do pensamento predominante de uma época.
Ora, em Memorial do Convento, a vida da sociedade do século XVIII pauta-se por uma religiosidade fanática e opressiva que dita as regras do comportamento social. É exemplo deste espaço psicológico quando Baltasar relembra o momento em que perdeu a sua mão esquerda na guerra.

Dimensão simbólica e elementos simbólicos em memorial do convento

Baltasar Sete – Sóis / Blimunda Sete – Luas



Baltasar e Blimunda são personagens heróicas. Regressado da frente da batalha, Baltasar apresenta uma “deformidade física”.

Em termos simbólicos liga-se a Blimunda, também diferente pela sua capacidade de “olhar por dentro das pessoas”.

Simbolizam o Sol/ a Lua, o dia/ a noite, e a Luz/a Sombra, a união dos opostos, o universo divino e o universo humano.



Padre Bartolomeu



Representa o ser fragmentário, dividido entre a religião e a alquimia. Simboliza a aspiração humana (voo da passarola), conferindo sacralidade ao acto humano de construir e sonhar.



Domenico Scarlatti



Ligado à música, representa o transcendente. Simboliza a ascensão do homem através da música e ligado também ao mito Orpheu
 
 
 




Elementos Simbólicos



Sete – é a soma dos pontos cardeais com a trindade divina, representa a totalidade do universo em movimento.

Nove - representa a gestação, a renovação e o renascimento.

Blimunda procura Baltasar durante nove anos.

Passarola – é o elo de ligação entre o céu e a terra, representa a alma humana que ascende aos céus. Simboliza a libertação dos espíritos e a passagem a um outro estado de existência.
 
Mãe da pedra -  Uma outra situação-acontecimento de cariz mítico em Memorial do Convento constitui-se com a gesta heróica, epopeica, do transporte da pedra gigante de mármore, amãe da pedra, de Pêro Pinheiro para Mafra. Desde o início, a narração anormaliza assituações descritivas: o tamanho gigantesco da pedra, o carro especialmente construídop para o seu transporte (uma “nau da Índia”), as duzentas juntas de bois e os seiscentos homens necessários para o puxarem, os difíceis obstáculos do caminho, à semelhançadas narrativas de heróis clássicos, em que se anunciam os “trabalhos” fabulosos que terão de ser contornados e o esforço imperioso, mais do que humano, que terá de ser despendido.

 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Categorias da Narrativa (Memorial do Convento)


  • Ação
  • Personagens ( caracterização das personagens)
  • Espaço
  • Tempo
  • Narrador
  •  
     
    Ação
     
    Estrutura externa :  25 capítulos - não estão numerados ou titulados.
     
    Estrutura Interna: A intriga situa-se na 1ª metade do séc. XVIII e desenvolve-se em diversas linhas de acção:
     
    História:

      a vida na corte de D. João V e na cidade de Lisboa;
    ● a construção do Convento de Mafra;
     
    Ficção:

     a história de amor de Baltasar e Blimunda;
    ● a construção da passarola voadora, sob orientação do Padre Bartolomeu de Gusmão.



    Personagens

    Caracterização e perfil simbólico:
    • D. João V : o rei megalómano e devasso; 

    • D. Maria Ana : a rainha triste e apagada;

    • Baltasar Mateus , “Sete-Sóis”: o soldado maneta, o trabalhador;
     
    • Blimunda da Jesus , “Sete-Luas”: a amante, a mulher intuitiva e a vidente;

    • Pe. Bartolomeu Lourenço : o padre heterodoxo e o génio inventivo;
     
    • Dominico Scarlatti: o músico que representa a arte que, aliada ao sonho, cura Blimunda.
     
    • Povo: Espoliado, rude, violento , o povo atravessa toda a narrativa, numa construção de figuras que, embora corporizadas por Baltasar e Blimunda, tipificam a massa colectiva e anónima que construiu, de facto, o convento.

    terça-feira, 11 de dezembro de 2012

    Barroco em Portugal

       O nome “barroco” deriva da palavra espanhola barueco (que simbolizava uma pérola de forma irregular) e, no final do século XVII, este estilo tinha uma intenção pejorativa derivada do facto de, nessa altura ,este estilo artístico ser visto como a fase de decadência do Renascimento.De facto, só no início do século XX é que o barroco é devidamente reconhecido.
       Enquanto que o estilo renascentista se caracterizava pela simplicidade e serenidade, o barroco caracteriza-se pelo movimento, pelo dramatismo e pelo exagero. O barroco era uma arte espetacular e faustosa e, nas igrejas, atraía os fiéis, impressionando-os. Foi por isso denominado a arte da Contra-Reforma.
      Em Portugal, o Barroco tem seu início em 1580 com a unificação da Península Ibérica, o que acarretará um forte domínio espanhol em todas as atividades, daí o nome Escola Espanhola, também dado ao Barroco lusitano. O Barroco estender-se-á até 1756, com a fundação da Arcádia Lusitana.
      

    Caracteristicas do estilo Barroco:

    A arquitetura barroca caracteriza-se pelo uso de colunas, frisos, frontões, arcos e cúpulas; nas fachadas curvas e contra curvas e nichos.

    Como decoração recorreu-se a baixos-relevos, pinturas, mosaicos, mármores e talha dourada.


       






    Santuário do Bom Jesus do Monte
     
     
     
    Referência: Em Portugal Padre António Vieira destaca-se na literatura Barroca.
     
     
     
     

    Convento de Mafra

    Reflete a arquitetura absolutista e é um dos mais conhecidos edifícios barrocos portugueses. É um edifício imenso. O conjunto é visível do mar, funcionando como um marco territorial, e utilizado como residência de verão da corte. No seu conjunto destacam-se a basílica, a biblioteca, os cinco órgãos da igreja e os dois carrilhões. Durante o reinado de D. João VI, o Palácio foi habitado durante todo o ano de 1807, antes da partida da corte para o Brasil.


    Este convento tem uma área imensa de aproximadamente 40 000 m2, a sua fachada nobre com 232 metros, os seus 29 pátios e 880 salas e quartos, as suas 4500 portas e janelas ou ainda as 217 toneladas que pesam os 110 sinos do seu famoso carrilhão.

    Chegaram a trabalhar neste edifício 45 000 operários e 7 500 soldados

    Convento foi inicialmente habitado por franciscanos, substituídos em 1771 pelos cónegos regrantes de Stº Agostinho que nele permaneceram cerca de 20 anos, findo os quais voltou a ser ocupado pelos irmãos de São Francisco, até 1834.

    Considerado sempre como residência de Verão, o Palácio Nacional de Mafra apenas foi habitado permanentemente no reinado de D. João VI, período em que atingiu o máximo esplendor. Os salões foram objecto de grandes beneficiações e diversas pinturas murais, apresentando-se ricamente atapetados e repletos de valioso mobiliário e outras preciosidades artísticas.

    Por altura das invasões francesas a Família Real retirou-se para o Brasil, tendo levado consigo a maioria das colecções artísticas do Paço de Mafra. No Convento ficaram, nessa altura, apenas 20 frades, tendo o Palácio sido ocupado pelas tropas de Junot em 1807 e um ano mais tarde pelo exército Inglês que aí permaneceram até 1828.

    A extinção das ordens religiosas, em 1834, leva os franciscanos a abandonar definitivamente as instalações do convento.

    Com a implantação da República, o antigo Paço Real passou a denominar-se Palácio Nacional. O Paço Real serviu, pela última vez, de guarida a D. Manuel II, na sua derradeira noite, antes do exílio.

    Desde 1841 o Convento é habitado pelos militares que o têm conservado, não apenas nas áreas que ocupam, como têm sido eles também factor importante na conservação global do monumento, em colaboração com as restantes entidades.





     

    A Inquisição em Portugal


    A Inquisição era um tribunal eclesiástico destinado a defender a fé católica: vigiava, perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Exercia também uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis e censurava toda a produção cultural bem como resistia fortemente a todas as inovações científicas. Na verdade, a igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do papa.


    A 23 de maio de 1536 – bula do papa Paulo II - estabelece a Inquisição em Portugal, no reinado de D. João III.
     
    Os judeus foram os mais perseguidos pela inquisição em Portugal
    As pessoas viviam amedrontadas e sabiam que podiam ser denunciadas a qualquer momento sem que houvesse necessariamente razão para isso. Quando alguém era denunciado, levavam-no preso e, muitas vezes, era torturado até confessar.
     
     A Inquisição em Portugal terminou em 1821 depois da revolução liberal de 1820.
     
     
    Execução de condenados pela Inquisição, no Terreiro do Paço, em Lisboa (séc. XVIII)

    D. João V

    João V, o Magnânimo (1706-1750)

    Era filho de Pedro II e de Maria Sofia, condessa palatina de Neuburgo (1666-1699). Recebeu os cognomes de O Magnânimo ou O Rei-Sol Português, em virtude do luxo de que se revestiu o seu reinado.

    Nasceu em Lisboa, no Palácio da Ribeira, em 22 de Outubro de 1689 e morreu em Lisboa em 31 de Julho de 1750.

    Aspectos relacionados com o reinado de D. João V:

      Riquezas oriundas do Brasil;
      Desenvolvimento das Ciências e das Reformas;
      Literatura Barroca: as academias e o gosto gongórico;
      Interesse pelas Artes: Música, Pintura, Arquitectura.
      Profundos contrastes sociais ; .

    Vigência do temível tribunal da Inquisição (Santo Ofício); 
    Devassidão escandalosa do monarca;
    Impressões negativas de viajantes estrangeiros;
    Juízos críticos de escritores portugueses (de Camilo Castelo Branco a Oliveira Martins).



    Ficheiro:John V of Portugal Pompeo Batoni.jpg

    quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

    Contexto histórico da ação

    http://www.slideshare.net/sebentadigital/memorial-do-convento-de-jos-saramago-ii#btnNext

    Biografia e Bibliografia de José de Sousa Saramago

     
    José de Sousa Saramago, nasceu em 1922 em Azinhaga.

     Antes de se dedicar a literatura trabalhou como serralheiro, mecânico, desenhista industrial e gerente de produção numa editora.

    Iniciou sua atividade literária em 1947, com o romance Terra do Pecado, só voltando a publicar (um livro de poemas) em 1966.

    Atuou como crítico literário em revistas e trabalhou no Diário de Lisboa.


     Em 1975, tornou-se diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. Acuado pela ditadura de Salazar, a partir de 1976 passou a viver de seus escritos, inicialmente como tradutor, depois como autor.

    Em 1980, alcança notoriedade com o livro Levantado do Chão, visto hoje como seu primeiro grande romance. Memorial do Convento confirmaria esse sucesso dois anos depois.

    Em 1991, publica O Evangelho Segundo Jesus Cristo, livro censurado pelo governo português - o que leva Saramago a exilar-se em Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha), onde vive até hoje. Foi ele o primeiro autor de língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998.

    Entre seus outros livros estão os romances O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), A Jangada de Pedra (1986), Ensaio sobre a Cegueira (1995) e O Homem Duplicado (2002); a peça teatral In Nomine Dei (1993) e os dois volumes de diários recolhidos nos Cadernos de Lanzarote (1994-7).





    Memorial do Convento, José Saramago

    Memorial do Convento é uma obra literária escrita por José Saramago. Em resumo, o livro conta duas histórias que a dado momento se entrelaçam.

    A primeira história leva-nos ao tempo da construção do Convento de Mafra, cuja edificação foi feita por D. João V e oferecida a Deus, para que este lhe desse um herdeiro, uma vez que o rei era casado já há dois anos com D. Maria e até então não tinham tido filhos. Saramago fala e critica a opressão que os nobres e o clero exerciam sobre o povo, uma vez que esta grandiosa construção custou muitos sacrifícios e originou muitas mortes dos populares.

    A segunda história é a história de amor entre Blimunda e Baltazar, pessoas pobres e humildes. Blimunda tem o dom de ver por dentro das pessoas, mas para isso tem que estar em jejum. São ambos amigos do padre Lourenço, um homem perseguido pela inquisição, que tem o desejo de voar e que, para isso, desenhou uma máquina, à qual chamou passarola. Pede a ajuda de Baltasar para a construir e este, após algumas hesitações, aceita. Com a ajuda da amada, mudam-se para a quinta do Duque de Aveiro, em S. Sebastião da Pedreira, para iniciarem a obra. Entretanto, com a partida do padre para a Holanda, o casal parte também para Mafra, que é a terra de Baltasar. Estiveram sem se ver durante 3 anos, até que Baltasar recomeça a construção da máquina. Num desses dias, consegue voar e nunca mais aparece. Blimunda procura-o durante nove anos, até que um dia, num auto-de-fé, encontra-o. Ele fora condenado à fogueira. Até esse ponto, Blimunda nunca tinha visto Baltasar por dentro, pois mal se levantava comia sempre um pouco de pão, para não estar em jejum. No entanto, instantes antes de morrer ela olhou-o, recolheu a sua vontade, porque ele lhe pertencia.




    Módulo 12 - Textos narrativos / descritivos II

    quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

    Felizmente Há Luar - Reflexão Final

    Felizmente Há Luar, é um dos textos pertencente ao teatro português dos anos 60, desenvolve um conjunto de temas (opressão, luta pela liberdade, amor) que constituiu um todo indissociável.
    Este módulo tal como o anterior trouxe-me algumas dificuldades, mas apesar de tudo senti-me já um pouco mais a vontade neste tema. Na minha opinião creio que  com a relaização deste tipo de trabalhos ficamos aprender mais devido a forma como pesquisamos e abordamos a matéria.


    terça-feira, 4 de dezembro de 2012

    Biografia de Humberto Delgado



     Humberto Delgado, conhecido como o "General sem Medo», nasceu a 15 de Maio de 1906, em Torres Novas, filho de um militar republicano.
    Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922. Em 1925 entrou na Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas.
    Aos 46 anos foi promovido a brigadeiro e aos 47 a general – o mais novo da sua geração. De 1941 a 1943 foi o representante português a estabelecer com o governo inglês os acordos secretos referentes à concessão de bases nos Açores. Durante cinco anos chefiou a missão militar portuguesa em Washington.
    Em 1944 foi nomeado director do Secretariado de Aviação Civil. Em 1945 fundou os Transportes Aéreos Portugueses e criou a primeira carreira regular da TAP (Lisboa-Madrid).
    Participou nas eleições presidenciais de 1958, contra o almirante Américo Tomás (apoiado por Salazar), reunindo em torno da sua candidatura toda a oposição ao regime. Numa famosa entrevista realizada pelo jornalista Mário Neves em 10 de Maio de 1958, quando lhe foi perguntado que posição tomaria face ao primeiro-ministro António de Oliveira Salazar, respondeu com a célebre frase “Obviamente, demito-o”. Foi a frase de declaração de guerra ao regime. Devido à sua coragem de dizer em público palavras pouco respeitosas e agressivas para o regime e para Salazar, foi cognominado de “General sem Medo”. Esta frase célebre incendiou os espíritos das pessoas oprimidas pelo regime salazarista que o apoiaram e o aclamaram durante a campanha.
    Nas eleições presidenciais de 1958 acabou por ser derrotado, tendo contestado os resultados (obteve 25% dos votos expressos, segundo as fontes oficiais).
    Em 1959, na sequência da derrota, vítima de represálias por parte da polícia política, pediu asilo político na Embaixada do Brasil, seguindo depois para o exílio na Argélia.
    Convencido de que o regime não poderia ser derrubado pelos meios pacíficos, procurou atrair as chefias militares para um golpe de Estado. Este golpe foi executado em 1962 e planeou tomar de assalto o quartel de Beja e outras posições estratégicas e importantes de Portugal. A revolta fracassou.
    Morreu assassinado pela PIDE, em Espanha, perto da fronteira de Olivença.
    Em 1990, a título póstumo, foi nomeado Marechal da Força Aérea. O seu corpo está, agora, no Panteão Nacional.



    http://bibliosttau.blogspot.pt/2009/05/biografia-do-general-humberto-delgado.html 

    Biografia de Salazar

    Nome: António de Oliveira Salazar
    Data de nascimento: 28 de Abril de 1889, em Vimeiro, Santa Comba Dao 
    Morte: 27 de Julho de 1970 



    A sua educação foi fortemente marcada pelo Catolicismo, chegando mesmo a frequentar um seminário. Mais tarde estudou na Universidade de Coimbra, onde veio a ser docente de Economia Política.
    Ainda durante a 1ª República, Salazar iniciou a sua carreira política como deputado católico para o Parlamento Republicano em 1921.
    Já em plena Ditadura Militar, Salazar foi nomeado para Ministro das Finanças, cargo que exerceu apenas por quatro dias, devido a não lhe terem sido delegados todos os poderes que exigia. Quando Óscar Carmona chegou a Presidente da República, Salazar regressou à pasta das Finanças, com todas as condições exigidas (supervisionar as despesas de todos os Ministérios do governo).
    Apesar da severidade do regime que impôs, publicou em 14 de Maio de 1928 a Reforma Orçamental, contribuindo para que o ano económico de 1928-1929 registasse um saldo positivo, o que lhe granjeou prestígio.
    O sucesso obtido na pasta das Finanças tornou-o, em 1932, chefe de governo. Em 1933, com a aprovação da nova Constituição, formou-se o Estado Novo, um regime autoritário semelhante ao fascismo de Benito Mussolini.
    As graves perturbações verificadas nos anos 20 e 30 nos países da Europa Ocidental levaram Salazar a adoptar severas medidas repressivas contra os que ousavam discordar da orientação do Estado Novo.
    Ao nível das relações internacionais, conseguiu assegurar a neutralidade de Portugal na Guerra Civil de Espanha e na II Guerra Mundial.

    O declínio do império Salazarista acelerou-se a partir de 1961, a par do surto de emigração e de um crescimento capitalista de difícil controlo. É afastado do governo em 1968 por motivo de doença, sendo substituído por Marcello Caetano.




    quinta-feira, 29 de novembro de 2012

    Estado Novo e a censura

    A censura à imprensa periódica foi instituída em 24 de Junho de 1926 e mantida até 1974. Aos poucos foi-se estendendo aos outros meios de comunicação, tais como o teatro, o cinema, o rádio e a televisão. Nenhuma palavra ou imagem podia ser publicada, pronunciada ou difundida sem prévia aprovação dos censores.
    Não houve qualquer alteração estrutural durante quatro décadas.Visaram assuntos, não apenas políticos e militares, mas também morais e religiosos, normas de conduta e toda e qualquer noticia susceptível de influenciar a população num sentido considerado perigoso.
    Os livros tinham de ser frequentemente retirados do mercado por ordem das autoridades.
    A policia politica foi reorganizada na década de 1930. Primeiro chamada PVDE, passou a ser conhecida por PIDE.

    A Corte no Brasil

    A Corte no Brasil



    Em Portugal, a vitória do liberalismo foi precedida de vários episódios de revolta, nomeadamente a conspiração de 1817, que vitimou vários portugueses inconformados com a política vigente.
    D. João VI, instalado com a corte no Brasil, deixara a metrópole à mercê do governo constituído por uma junta de governadores, Beresford, representante do poder militar britânico. O país vivia uma situação de declínio económico, social e comercial e sentia-se abandonado pelo seu rei.

    Terminada a guerra, os Ingleses mantinham o país em estado de mobilização e conservam nas fileiras perto de cem mil homens. Segundo um relatório que a junta de Governo enviou a D. João VI, em 1820, o exército absorvia três quartas partes das receitas públicas.



    Titulo


    O título do livro mostra-nos que depois de tantos anos de total escuridão, finalmente se pôde ver o luar! Apareceu uma nova luz em Portugal, uma nova esperança.